Como eu comecei
Não comecei sozinha.
Comecei inspirada por outras mulheres que pedalavam antes de mim.
Mulheres diferentes, com percursos distintos, ritmos próprios e razões que não precisam de ser comparadas. Cada uma mostrava que havia muitas formas de estar na estrada — e que nenhuma precisava de pedir autorização.
Mas há uma referência clara no meu caminho: Mariana Brugger.
Pela forma como vive o ciclismo, pela coerência entre o que faz e o que é, e pela tranquilidade com que ocupa o seu lugar. A inspiração, para mim, nunca foi imitação. Foi permissão.
Tudo começou de forma simples e profissional.
Um convite para conhecer o projecto FeelViana e ajudar-nos a promovê-lo. Um convite de trabalho, concreto, alinhado com o que fazia na altura.
Foi daí que surgiu outro convite — mais inesperado e mais transformador.
Um convite dela para mim: começa a pedalar Sofia.
Não houve plano, nem promessa, nem discurso motivacional. Houve apenas a ideia de experimentar. De perceber no corpo aquilo que até então entendia apenas em teoria. Aceitei.
E assim o fiz.
Comecei a pedalar sem ambição desportiva e sem narrativa épica. Comecei para compreender melhor, para sentir, para aprender. A estrada ensinou-me mais do que esperava — não sobre performance, mas sobre atenção, continuidade e tempo.
O que começou como contexto tornou-se hábito.
O que era experiência passou a necessidade.
Não foi um momento fundador.
Foi um processo.
E, sem dar por isso, eu já estava em travessia.
